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Se a riqueza de uma cidade fosse determinada pela sua história, sem dúvida alguma que Berlim seria das mais ricas do mundo. Apesar de iniciada de uma forma humilde a sua evolução veio a revelar-se verdadeiramente ímpar. Orgulhoso do seu crescimento, o burgo cimentou ao longos dos anos uma vida e personalidade próprias. Actualmente, Berlim uma das mais fascinantes e coloridas capitais europeias, com uma atmosfera palpitante e irradiante de vida. Pelos suas ruas e avenidas a moderna arquitectura patente neste início de século convive de forma harmoniosa com inegáveis testemunhos históricos.

Desde o princípio que Berlim se afirmou como um importante centro económico e financeiro, de tal forma que ainda hoje é considerada o coração económico e financeiro não só da Alemanha reunificada, mas também da própria Europa. Este facto só demonstra a forte determinação dos homens e mulheres que a construíram numa procura incessante por torná-la importante e única. Em meados do século XV foi escolhida para residência permanente dos Príncipes Electors, vivendo os 500 anos seguintes sob o governo dos Hohenzollerns. Durante esse tempo embelezou-se com os monumentos que hoje mostra com orgulho aos visitantes que a procuram conhecer.

A arquitectura fascina numa cidade geograficamente plana, que apela à descoberta dos seus mais recônditos segredos em saudáveis caminhadas. Já a cultura vive-se e sente-se ali como em poucos sítios, demonstrando a importância que a cidade tem como centro cultural, impregnado das novas tendências das mais variadas artes como a música, a pintura, o design ou a música. Esta última faz-se sentir por toda a metrópole, seja nas várias salas de espectáculo, no prestígio da conhecida Filarmónica de Berlim ou nos vários e diversificados festivais que durante todo o ano a animam e alegram. Após a unificação tornou-se na capital alemã, título que exibe com desmesurado orgulho.

No século XIII tem início a história da pequena comunidade de Berlim, atingida entre 1640 e 1670, pela devastadora Guerra dos Trinta Anos. A recuperação acalentada por Frederick William, trouxe uma nova organização e novos habitantes como franceses, vienenses e emigrantes vindos de outras regiões da Alemanha, predominantemente da Boémia. Em 1701 Frederick II, coroado como o primeiro rei da Prússia, transforma-a na capital e residência real. O seu sucessor, Frederick III, continuou o seu trabalho convertendo-a numa grande metrópole. 1806, as tropas de Napoleão entram pelas portas de Brandeburgo. Dois anos depois, com o fim da ocupação, a cidade renasce.

Com a unificação do país por Bismarck, em 1871, tornou-se na capital do Reich (império) e residência do imperador alemão. Em 1914, despoletou a Primeira Grande Guerra. No final do conflito a monarquia foi deposta e o Kaiser Wilhelm II exilava-se na Holanda. Em 1920 foi aprovada a lei que decretava a integração, na primitiva cidade, de outras comunidades e distritos rurais, formando a Grande Berlim. A partir de 1933, Berlim foi sede do Partido Nacionalista que a governou até 2 de Maio de 1945, altura em que se rendeu no final da Segunda Guerra Mundial.

O exército aliado, vencedor do conflito, tomou a decisão de a dividir em quatro sectores: o americano, o francês, o inglês e o soviético, cada um com autoridade própria sobre a respectiva área ocupada.
No dia 13 de Agosto de 1961, foi construído um muro no centro da cidade. Esta fronteira de betão originou cenas dramáticas de famílias separadas, mortes e perseguições a quem tivesse a ousadia de a tentar passar. Desde o Natal de 1989, altura em que o muro foi derrubado, berlinenses de ambos os lados reencontram-se, redescobrindo o prazer de viver e passear na sua cidade, sem restrições ou problemas.

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Portas de Brandeburgo
Estas são as últimas das 14 portas que permitiam o acesso à cidade através do Zollmauer (Muro de Aduana), de seis metros de altura. Criadas sob o estilo clássico entre 1788 e 1891, foram coroadas anos mais tarde com a deusa da Vitória guiando uma quadriga. Com a queda do muro, o ponto que marcava a divisão entre a parte ocidental e oriental ganhou o esplendor de outros tempos, sendo actualmente bastante movimentado.

O Reichstag
No já longínquo ano de 1871, após a constituição do Reich germânico e da transformação de Berlim na capital do império da Prússia, foi decidido construir um novo edifício para albergar as sessões do parlamento. No dia 9 de Junho de 1884, após a atribuição do projecto ao prestigiado arquitecto Paul Wallot, o Kaiser Wilhelm I coloca a primeira pedra, dando assim início aos trabalhos, que só estariam terminados anos mais tarde. Homenageando o povo alemão, foi colocada na fachada, durante a Primeira Guerra Mundial, a inscrição “Dedicado ao povo alemão”, sendo que a 9 de Novembro de 1918, Philipp Scheidemann proclama, de uma das janelas do Reichstag, a República. Quinze anos depois, o edifício era deliberadamente atingido por um enorme incêndio o danificou bastante, situação que se agravou durante 1945 com os constantes ataques da aviação soviética, deixando-o praticamente em ruínas. Depois da reunificação do país, em 1990, a nova Assembleia Nacional Alemã passou a acolher o primeiro parlamento eleito numa Alemanha livre desde a Segunda Guerra Mundial. Restaurado e renovado, o edifício conta agora com uma cúpula de vidro, como marca de novos e promissores tempos.

Igreja de Santa Maria
Construção iniciada em 1270, ficou gravemente deteriorada em 1380 durante um incêndio que vitimou a cidade, tendo sido recuperada alguns anos mais tarde. De referir no seu interior o fresco de 2 metros de altura, a pia baptismal em bronze, datada de 1437, e o púlpito barroco feito em mármore.

Catedral de Berlim
Por ordem de Wilhelm I, a antiga e imponente catedral foi derrubada para dar lugar à nova Catedral da cidade, que tinha sido planeada como a “principal igreja do protestantismo prussiano em Berlim”. Terminada em 1905, exibe orgulhosamente inúmeros adornos, cúpulas e torres que lhe conferem um ar majestoso. No seu interior, com espaço para 1.600 pessoas são regularmente realizados concertos, missas e outros eventos culturais.

Palácio Unter den Linden
Praticamente destruído pelos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial, este palácio do século XVII, que servia de residência a Friedrich II, foi objecto de grandes obras de recuperação entre 1968/69. Hoje, é propriedade da República Federal Alemã e serve para recepções oficiais.

Ópera de Berlim
Esta ópera de fama mundial foi construída entre 1741 e 43, segundo o estilo clássico obedecendo ao rocócó característico do Norte da Alemanha, na variante do templo coríntio. Foi reconstruída no século XIX, após um incêndio, e no século XX, depois da Segunda Guerra. A última grande modernização ocorreu em 1986.
Aberto de segunda a sábado das 10 às 20h e domingo das 14 às 20h.

Universidade Humboldt de Berlim
Casa de estudo de grandes intelectuais alemães, a Universidade Humboldt, construída entre 1748 e 1766, é um marco da melhor educação do país. Dali saíram nomes como Hegel, Schelling ou Karl Marx.

Ponte Schlossbrücke
Seguindo a Unter den Linden na direcção este, atravessamos uma das mais famosas pontes da cidade. Edificada sobre o rio Spree, foi terminada em 1824. As figuras de mármore que a ornamentam fazem dela uma das mais ricas pontes de todo o burgo.

Bodemuseum
O edifício faz lembrar uma fortaleza flutuante, edificada sobre as águas do rio Spree. Para além do Museu Egípcio, integra nas suas instalações o Museu de Antiguidade Postrema e Arte Bizantina, o Gabinete de Moedas e a Colecção de Esculturas.
Aberto de terça a domingo das 9 às 17h.

Museu Pergamon
Este edifício de 1930 aloja três ricos e distintos museus: Museu de Arte Islâmica, Museu do Próximo Oriente e Colecção de Antiguidades.
Aberto de terça a domingo das 9 às 17h.

Museu de História Alemã
Ocupando uma posição líder entre os museus que se debruçam sobre a história alemã, este museu apresenta uma arquitectura de projecção horizontal de forma quadrada. A sua imponente fachada foi terminada em 1706 com a participação dos arquitectos Nering, Schlütter, Grünberg e Bodt. Entre 1730 e 1835 albergou o Arsenal Real.

Com um clima europeu, Berlim acolhe bem durante todo o ano. Apesar de ter as estações perfeitamente escalonadas é sempre bom estar preparado para qualquer eventualidade climatérica. Mas a melhor altura para visitar a cidade decorre entre os meses de Maio e Outubro, quando a chuva não é visita tão assídua e o sol aquece os dias.

Com uma agenda anual bastante preenchida, Berlim é uma cidade onde há sempre algo para fazer. Seja assistir a um dos muitos espectáculos de música ou dança, visitar um dos inúmeros museus ou exposições de pintura e escultura, passear pelos vários espaços verdes ou fazer compras nas lojas de marca ou nos mercados que semanalmente se realizam.
Destacam-se, em Outubro, o Festival de Jazz de Berlim, e, em Agosto, o animado Festival da Cerveja.

Para lá chegar nada como utilizar o avião e aterrar num dos três aeroportos. Na cidade existem várias hipóteses de mobilidade: uma boa rede de metro que nos leva a praticamente todo o lado, autocarros que a quase todas as horas percorrem Berlim, o cómodo táxi ou o tradicional velotaxi, o típico pedocab berlinense, ou, e estas são as opções mais saudáveis, andar de bicicleta ou a pé.

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