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Apesar dos seus 22 quilómetros quadrados de área, Macau não pode ser desvendado em quatro dias. Nem uma semana chegaria. É preciso ter a consciência de que são precisos muitos anos para descobrir cada recanto e desvendar este mistério de encontro de povos, dos portugueses e dos chineses, dos franceses e dos filipinos, dos espanhóis e dos birmaneses.

Dizem que a sorte da deusa dos navegadores, A-Ma, abençoou Macau e fez dele o paraíso de muitos. Mas como não há o que agrade a gregos e a troianos, este também já foi o inferno de tantos portugueses. As fronteiras para a China e para Hong Kong tornam Macau irrespirável. Como nos Açores se renovam num dia as quatro estações, em Macau vivem-se todos os estados de espírito. Conhece-se o Oriente e recorda-se o Ocidente. Mais do que uma viagem à exótica China, esta é uma aventura interior que pode muito bem ser a primeira a abalar a sua existência. Mas merece a pena empreendê-la. Mais do que a China ficará a conhecer-se melhor.

A interligação da cultura chinesa e portuguesa está bem patente na singular herança histórica de Macau, onde os templos, as fortalezas, as igrejas, os palácios e os jardins são silenciosas testemunhas dos tempos e das gentes que por lá passam. Território em franco progresso, que soube conservar o charme e o romantismo das suas memórias, Macau deve ser o fado de todos os portugueses que viajam pela Ásia.
Localizado numa pequena península na foz do rio Pearl, Macau traçou uma trajectória singular na sua história. Nesta cidade em que coexistem as duas civilizações, oriental e ocidental, a civilização moderna ocidental encontrou a plataforma de entrada no Oriente.

Com uma vida quotidiana intensa, é à noite que a cidade se revela ainda mais bela, pois a iluminação que a anima e enfeita é única. Inesquecível é também o espectáculo deslumbrante da chegada, ao entardecer, das centenas de juncos que, depois de um dia de pesca, se abrigam nas águas para a venda do seu peixe e para o descanso de mais um dia de trabalho.

Ruínas de São Paulo
É , provavelmente, o local mais famoso de Macau, enquanto monumento representativo da história da cidade. As Ruínas de São Paulo são um registo sólido que resultou da combinação da arte ocidental e oriental, enaltecendo a relação de encontro das duas culturas. Hoje tudo o que resta de uma das maiores igrejas de Macau, é a magnifica fachada de pedra e a esplêndida escadaria.
Construída em meados do século XVIII (8.º ano do Reinado de Man Lek da Dinastia Ming), sofreu um incêndio em 1835. Em 1601 a igreja estava totalmente destruída. No ano seguinte teve início a terceira reconstrução e quinze anos depois ficou concluída a fachada principal, toda em granito que ainda hoje se mantém como ex-líbris de Macau.

Templo de A-Ma
Datado do início do século XVI é dedicado à deusa dos navegantes. Situado na base de Penha Hill, é considerado o templo mais antigo de Macau. Três dos quatro pavilhões estão dedicados a A-Ma, com estátuas dedicadas à deusa, barcos de cobre e capelas em honra de deuses budistas. O Templo de A-Ma é um local de peregrinação para a comunidade de pescadores de Macau.

Igreja de S. Domingos
Construída no século XVII está classificada como monumento. Em 1828, a igreja foi reconstruída, passando a ter o aspecto actual: fachada de cor amarela com portas e janelas verdes.
Em 1997, o Departamento do Património Cultural realizou obras de restauro na igreja e três andares da renovada torre do sino passaram a servir de Museu do Tesouro de Arte Sacra de S. Domingos. A colecção do museu tem quase 300 peças que ajudam a ilustrar a história da igreja católica na Ásia.

Templo de Kun Iam Tong
Templo budista dedicado à deusa da Misericórdia fundado no século XIII, mas reconstruído em 1627. É um dos maiores e mais ricos templos de Macau. Em 1844 foi palco da assinatura do primeiro tratado de confiança e amizade entre os Estados Unidos da América e a República Popular da China.
Na parte de trás do templo ficam os jardins e os terraços. É nestes jardins que está a famosa árvore dos amantes, símbolo da fidelidade conjugal.

Leal Senado
O Largo do Senado foi desde sempre o centro de Macau, assim como um importante local de encontros, reuniões e celebrações. A maioria dos prédios e casas à volta da praça foram construídas em finais do século XIX. Muitos deles são considerados monumentos ou prédios de grande valor arquitectónico, como o próprio edifício do Leal Senado, com a sua fachada neoclássica.
Os 3700 m2 do Senado estão cobertos por um colorido mosaico. No primeiro andar fica a biblioteca do século XVI, repleta de tesouros encadernados em couro, um pátio interior decorado com azulejos portugueses e um grande salão.

Museu de Macau
A exposição permanente de Macau tem três temas principais: a origem e história da cidade desde o Neolítico até ao século XVIII; as artes populares e tradições de Macau; e Macau contemporâneo, onde se mostra os aspectos do desenvolvimento urbano da cidade.

Museu do Grande Prémio de Macau
Contribuindo para o conhecimento de todos sobre o que tem sido o Grande Prémio de Macau durante a sua já longa vida, foi criado o seu museu. A valiosa colecção das máquinas que correram e venceram no circuito da Guia e um simulador, onde até os menos dotados na condução podem experimentar a adrenalina das curvas e contracurvas da corrida, merecem a sua atenção.

Museu do Vinho
As antigas prensas de uvas, as capas e os chapéus das Confrarias Portuguesas, a colecção de 750 vinhos portugueses de origens diferentes, entre fotografias, rótulos e utensílios, tudo no ambiente das tradicionais adegas, permitem ao visitante viajar na história do vinho.

Casa-Museu
Na marginal da ilha da Taipa uma das mansões coloniais foi restaurada como casa típica de uma família macaense dos anos vinte. Nas suas salas de pé-direito tradicionalmente elevado, conserva-se o mobiliário e os ornamentos europeus e orientais utilizados na época, recriando uma atmosfera de requintada sobriedade tão característica daquela era.

Jardins
A maioria dos jardins públicos em Macau prima pela harmoniosa conjugação dos elementos tanto do Ocidente, como do Oriente, criando-se assim belos espaços que alimentam o coração, regularizam as emoções e descansam o espírito, segundo um adágio chinês. Entre rochas gastas pelo tempo, representando montanhas e rochedos; tufos de pinheiros, ameixoeiras, bambu e salgueiros, minimizando as florestas perenes; bustos de pessoas famosas e tanques de flor de lótus, sugerindo os grandes lagos, a comunidade de Macau passa os momentos mais refrescantes do dia. De manhã cedo, homens e mulheres vão ali praticar os seus exercícios de “Tai Ké”, uma série de exercícios respiratórios e físicos vulgarmente conhecidos, entre os ocidentais, por “luta de sombras”, que tonificam o corpo e o espírito, preparando os seus praticantes para o dia que se segue. Mais tarde, as donas de casa, depois das compras no mercado, passam por lá para conversar com as amigas e os homens levam os seus pássaros a passear nas gaiolas de bambu, que penduram nas árvores, enquanto se reúnem à volta do jogo de xadrez chinês.

A melhor altura para ir a Macau é o nosso Outono, de Outubro a Dezembro, quando os dias são ensolarados e quentes, e a humidade é baixa. O Inverno (Janeiro a Março) é frio, mas com sol. Em Abril, a humidade começa a subir; e, de Maio a Setembro o clima é quente e húmido com alguma chuva e tempestades de Verão, vulgarmente ali chamados de tufões.

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