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Esta antiga cidade púnica, chamada Thysdrus naquela época, combateu ao lado do Império Romano na terceira guerra púnica (146 d.c.). Uma sábia decisão que outorgou a El Jem a condição de cidade livre após a queda de Cartago. A meio do século III converteu-se em colónia romana, e chegou a ser uma das cidades mais ricas de África. Hoje em dia graças à sua tradição histórica e cultural, à sua gastronomia típica e ao seu ambiente nocturno, El Jem é uma oferta turística capaz de satisfazer o viajante mais exigente. Assim que o viajante começa a descobrir mais detalhadamente todos os seus tesouros, é quando El Jem surge mais evocador. Das suas esplanadas e casas de chá pode desfrutar-se do ambiente privilegiado de contemplar a vida social das suas gentes e ser-se contagiado pelo ritmo de vida relaxado desta pérola interior situada no Mediterrâneo.

São muitos os motivos para visitar El Jem, entre eles o seu anfiteatro romano. Classificado Património da Humanidade pela UNESCO, é um dos monumentos romanos mais famosos da Tunísia, e a principal atracção cultural do país. Ocupa um lugar emblemático no Mediterrâneo, pelo que visitá-lo é como fazer uma viagem no tempo. A sua impressionante arquitectura de arenito ergue-se majestosa entre as baixas da cidade. Com capacidade para uns 35000 espectadores, foi construído pelo imperador dos gladiadores e os espectáculos circenses que competiam com os da metrópole romana. Uma vez dentro, podem visitar-se as masmorras e celas da parte inferior, onde feras, escravos e gladiadores esperavam o momento de pisar a areia. Trata-se de um dos últimos anfiteatros romanos construídos e um dos poucos que conservou o fosso dos leões, ainda visível na actualidade, pelo que é fácil sentir por momentos a grandeza do lugar bastando para tal imaginar as cenas que lá se viveram há alguns séculos. Sendo o quarto coliseu maior, depois de Roma e Capua, assim como um dos anfiteatros mais bem conservados do mundo, a sua magnificência constitui uma imagem espectacular e impressionante, tanto pela sua solidez e formidáveis dimensões, quanto por resumir todas as evidências que o viajante possa necessitar para captar o alcance e a grandeza da civilização romana em África.

O anfiteatro inspirou várias lendas: por exemplo, diz-se que no interior do coliseu há um tesouro escondido. A jovem de El Jem capaz de matar um carneiro e de fazer da sua carne um bom cuscuz e da sua lã um bonito tapete, encontrará o valioso tesouro.

O coliseu não foi o primeiro anfiteatro construído em El Jem. À frente do museu e do outro lado das vias do comboio, encontram-se as ruínas de um coliseu anterior, escavado numa colina baixa. Existe também outro aglomerado de cidades romanas de grande interesse arqueológico a norte do coliseu.

De meados de Julho a Agosto, o anfiteatro de El Jem converte-se num esplêndido cenário iluminado para acolher o Festival Internacional de Música Sinfónica de El Jem. Os concertos celebram-se à luz das velas e supõem um dos acontecimentos culturais mais interessantes da Tunísia. Uma recordação inesquecível para a memória do turista.

Outro dos atractivos de El Jem é a fabricação de mosaicos. À saída da cidade, numa das vilas romanas mais bem conservadas da Tunísia, há uma antiga casa senhorial romana reconstruida para albergar o Museu de Mosaicos. Situado a 1km ao sul do anfiteatro, na estrada de Sfax, este museu contém uma colecção pequena mas extremamente bela de mosaicos, que ilustram desde cenas de gladiadores até desenhos abstractos e estilizados. Destaca uma fabulosa colecção de cenas do coliseu e uma espectacular representação de Dionísio no lombo de um tigre. Todos os mosaicos encontra-se em muito bom estado, e conseguem que o visitante  evoque o passado e reviva a época e esplendor deste povo durante o Império Romano.

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