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Com a sombra do comunismo já distante, Budapeste abriu as suas portas para encantar o mundo. É entre cenários únicos, onde a arquitectura parece assumir todas as expressões, que se espraia um quotidiano vibrante de vida. Nas artes, na cultura, na gastronomia, na hospitalidade este é ainda um lugar à parte na Europa, mas no melhor sentido da palavra. É o regresso de uma metrópole que, mesmo avançando firme em direcção ao futuro, não deixa por mãos alheias as suas mais genuínas tradições.

A essência de Budapeste reside na sua história, marcada por períodos alternados de prosperidade e devastação. Uma inconstância histórica que se explica pela sua localização estratégica, estendendo-se ao longo das margens do Danúbio, no coração da Europa Central. Os Magiares foram os fundadores da nação húngara, e nem os períodos negros da sua história apagaram essas raízes: a invasão turca no século XVI, o domínio dos Habsburgos até 1867, a devastação causada pela II Guerra Mundial e o controlo soviético até 1989.

Acontecimentos que deram ao povo húngaro a capacidade de enfrentar a adversidade e também o profundo orgulho pelo passado. Essa forma de estar é parte da alma de Budapeste, cidade que nasceu em 1873, com a unificação das cidades de Buda, Óbuda e Peste. Buda e Peste permanecem distintas, no entanto, criam um interessante contraste entre as margens do Danúbio. Buda, na margem ocidental, oferece estreitas e labirínticas ruas e uma interessante mistura de edifícios medievais e neoclássicos, na maioria reconstruídos depois da II Guerra Mundial. Peste, na margem oriental, reflecte o esplendor vivido nos finais do século XIX princípios do século XX, quando o estilo Secessão – uma das expressões da Arte Nova – criou as mais belas obras arquitectónicas.

A cidade é uma mistura impressionante de estilos e revivalismos arquitectónicos, afinal um dos seus maiores cartões de visita. A sombra do comunismo já não paira na cosmopolita Budapeste, que se aproxima a passos largos de outras cidades europeias. O visitante surpreende-se com uma metrópole onde a modernidade convive com as tradições. Historicamente centro de cultura e sobretudo de actividade musical, Budapeste também retomou a sua vocação: os seus festivais são já mundialmente famosos! Sendo uma das maiores cidades termais da Europa, os banhos são outro dos seus ex-líbris. E depois, depois há o Danúbio, adornado por belas pontes e de onde, navegando, se vislumbra a mais encantadora das perspectivas das cidades que se tornaram numa só.

A privilegiada situação geográfica de Budapeste levou a que a região fosse disputada pelos mais diferentes povos. Cerca de 100 d.C., os Romanos fundaram ali a cidade de Aquincum. O seu domínio prevaleceria até ao século V, altura em que a região é conquistada pelos Hunos. Seguiram-se os Godos, os Lombardos e, durante quase 300 anos, esteve sob o jugo dos Ávaros. Os Magiares, antepassados dos actuais húngaros, migraram dos Urales e chegaram à zona de Budapeste em 896. No ano 1000, o príncipe István (canonizado Santo Estevão) converte os húngaros ao Cristianismo e, como primeiro rei coroado, institui as bases do actual estado húngaro. A capital da nação húngara muda-se para Buda, em 1247, após a invasão Mongol. Grande parte da expansão da cidade deu-se durante a dinastia dos Angevinos. O século XV marca o apogeu de Buda, mas o seu desenvolvimento é interrompido pela invasão dos turcos, que dominam a região durante 150 anos.

Depois da libertação pelos exércitos cristãos, a Hungria tornou-se numa província do Império Austríaco dos Habsburgos. É sob o seu domínio que floresce económica e culturalmente. Buda prospera, ao mesmo tempo que a cidade do outro lado do rio, Peste, também floresce. Mais tarde, Peste torna-se num dos grandes centros de comércio do país enquanto que Buda permanece sob a vigilância apertada da realeza. É em Peste que o nacionalismo desperta: estala a Revolta de 1848, mas seria brutalmente dominada por Francisco José I. A resistência húngara continuaria, levando a que o Império Austríaco e o Reino da Hungria assinassem o Acordo de 1867 criando o Império Austrohúngaro. Em 1873, Buda e Peste unem-se criando a cidade de Budapeste. A seguir à Primeira Guerra Mundial, a monarquia foi deposta e a Hungria perdeu dois terços do seu território. O desejo de o recuperar levou os húngaros a apoiar a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, Budapeste seria invadida pelas tropas russas em 1945. Instalava-se um governo comunista ao qual os húngaros responderam com a Revolta Popular de 1956, que seria esmagada pelos soviéticos. Com o colapso do comunismo, tornou-se, em 1989, na República da Hungria. As tropas soviéticas retiram-se do terreno em 1991, e a Hungria pôde finalmente realizar as primeiras eleições livres em mais de quatro décadas. Prevê-se que integre a União Europeia em 2003.

O Bairro do Castelo
Entre as muralhas deste bairro de Buda distinguem-se as zonas da Cidade Velha e do Palácio Real. A Cidade Velha, reconstruída depois da guerra, tem o encanto de ruas medievais e um rico património arquitectónico. Destaca-se a Igreja Mátyás, uma reconstrução neogótica, e também o invulgar Museu do Comércio e Restauração. A Rua dos Lordes, que atravessa a Cidade Velha, ainda conserva características medievais, que se misturam com fachadas barrocas e neoclássicas. O Bastião dos Pescadores é um excelente miradouro. As suas torres cónicas inspiram-se nas tendas dos Magiares. A sul, estende-se o Palácio Real, destruído e reconstruído por diversas vezes. Hoje é uma interessante amálgama de vários estilos que foram reconstruídos depois da guerra. Alberga a Galeria Nacional, a Biblioteca Nacional e o Museu de História de Budapeste.

A Colina Gellért
É um dos locais mais aprazíveis da cidade, de onde se avista o Palácio Real e o Danúbio. No topo, ergue-se a Cidadela, fortaleza do século XIX, e o Monumento da Libertação. Em redor, desenvolveu-se um belo parque. No sopé, o Hotel Gellért exibe o seu estilo Secessão. Um hotel termal de reputação mundial pela qualidade das suas águas termais. Bem perto, estão os igualmente famosos Banhos Rudas.

O Norte do Castelo
Entre a colina do Castelo e a margem ocidental do Danúbio, fica a zona conhecida por Vízíváros ou Cidade da Água. Inúmeros cafés e restaurantes aliam-se a monumentos barrocos e a uma elegante marginal. Abundam igrejas nos mais diversos estilos arquitectónicos. São ex-líbris a Igreja de Santa Ana, um dos mais belos exemplares do Barroco, e a Igreja de Santa Isabel, outro testemunho interessante do mesmo estilo.

Arredores do Parlamento
O esplendor de Peste de finais de oitocentos ainda se conserva na Praça Kossuth, dominada pelo edifício neogótico do Parlamento. Do lado oposto, ergue-se o Museu Etnográfico, cujo estilo arquitectónico liga elementos renascentistas, barrocos e clássicos. As 170 mil peças da sua colecção narram a cultura húngara desde os primórdios. Na Praça Roosevelt, destacam-se a Academia Húngara das Ciências, em estilo neo-renascentista, e a neoclássica Basílica de Santo Estevão. Perto daqui, estão o Palácio Gresham, em estilo Secessão, e a Ópera Nacional.

O Centro de Peste
É o ponto de encontro da cidade, sobretudo a Rua Váci, a zona de passeio e de compras mais elegante de Budapeste. Está ladeada de lojas, cafés, fontes e estátuas. Afastados da rua, existem velhos pátios e arcadas comerciais. São de referência os Palácios Klotild e a Igreja Paroquial da Baixa da Cidade, o mais antigo edifício de Peste. A colecção de arte do elegante Museu Nacional Húngaro merece uma visita. No Bairro Judeu, situa-se a maior Sinagoga da Europa. O seu museu reúne uma vasta colecção de artefactos judaicos.

Parque da Cidade
A entrada para este parque do século XIX faz-se a partir da Praça dos Heróis, que é dominada pelo Monumento do Millennium. No lado norte, ergue-se o Museu de Belas-Artes, e no lado sul, o Palácio da Arte, o maior espaço de exposições do país. Na ilha do lago de Városliget, situa-se o Castelo Vajdahunyad, que não é um castelo mas sim um conjunto de edifícios que reflectem vários estilos arquitectónicos. A Estátua do Desconhecido, no lado oposto, é um monumento célebre. É também aqui que se situam os Banhos Széchenyi, o maior complexo balnear termal da Europa, e um bonito Jardim Zoológico.

Fora do Centro
A periferia da cidade também encerra inúmeros locais de interesse. A norte do Centro de Buda, ficam as ruínas de Aquincum, cidade fundada pelos romanos em 100 d.C.. Enquanto que em pleno Danúbio se ergue a Ilha Margarida, um paraíso de verde que convida a tranquilos passeios. O acesso é feito a partir da Ponte Margarida. Para oeste, abundam reservas naturais e grutas. A sul da cidade, situa-se um dos mais belos palácios barrocos da Hungria, o Palácio Nagytétény. O Parque das Estátuas, local dos monumentos da época socialista, fica muito perto.

É na Primavera e no Outono que Budapeste parece estar no seu melhor, amena e tranquila. O Verão, quente e cheio de acontecimentos, é sempre muito animado, no entanto, as multidões de turistas podem ser um inconveniente para quem procura uma estada tranquila. O Inverno é muito frio, altura em que também fecham museus e outras atracções turísticas.

A actividade prioritária é partir à descoberta do património histórico de Budapeste, mas há mais para fazer. As viagens de barco no Danúbio são outra forma de olhar a cidade. As compras podem ser excitantes, sobretudo nos mercados típicos, onde os artigos tradicionais têm preços convidativos. A tradição húngara ainda se vive nos belos cafés e restaurantes, locais obrigatórios para quem quer se imiscuir na vivência da cidade e também experimentar os excelentes vinhos e a gastronomia local. É imprescindível experimentar uma das reputadas estâncias termais de Budapeste.

Várias companhias áreas internacionais garantem voos regulares a partir das principais cidades europeias. A viagem de comboio também pode ser uma opção já que a cidade tem excelentes ligações ferroviárias com toda a Europa. Dentro da cidade: a vasta rede de transportes públicos assegura boas ligações a toda a cidade. O eléctrico, para além de agradável, é um dos meios mais eficazes para percorrer a cidade, mas os autocarros e o metro também são boas opções. No centro histórico, andar a pé é o ideal.

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