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Quem nunca desejou visitar  Nova Iorque? Não existe melhor lugar para realizar todos os seus desejos. Basta escolher o que quer ser: romântico no Central Park, moderno no Soho, perdulário na Madison Avenue, doido no East Village, artista em Chelsea, fazer compras em Chinatown, ou, melhor ainda, ser qualquer uma dessas pessoas em qualquer um desses lugares.
As combinações são infinitas. Afinal, em que lugar do mundo pode-se, no mesmo dia, comprar dois pares de sapatos por preços tão distintos, assistir ao espetáculo da última melhor banda de todos os tempos, comer um cachorro-quente delicioso em qualquer esquina, esbarrar com a sua celebridade favorita, patinar numa pista de gelo, descobrir o exemplar raro do seu livro favorito e chorar com a última peça de ópera? Se você ainda não se convenceu, lembre-se: o Metropolitano está aqui, os corais gospel do Harlem também, assim como o charme art déco dos arranha-céus Chrysler e Empire State, o olhar protetor da Estátua da Liberdade, o melhor museu de arte moderna do mundo e os musicais da Broadway.
Depois dos atentados às torres do World Trade Center, a cidade mudou. Mas continua igual, já que uma coisa não exclui a outra. Nova Iorque sempre será a mesma porque a sua natureza é justamente esta: constantemente em mudança. Desde a sua descoberta por Giovanni da Verrazano em 1524, nem por um segundo sequer ela se fez discreta no mapa. Tanto que você já deve ter ouvido milhões de histórias sobre a cidade. Mas o melhor mesmo é ter a sua própria para contar.

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Nova Iorque é fascinante, a mais fascinante de todas as cidades. Porquê? Não sei, diria que é uma questão de paixão e que qualquer avaliação racional deste sentimento viria aqui a despropósito. Foi apaixonada que me senti na primeira viagem e também na segunda, na terceira e na quarta vez que aqui cheguei. Caótica, barulhenta e poluída, não tem a imponência aristocrática de Paris, a beleza, a cor e a história de Roma ou a geografia, o clima tropical e o ritmo descontraído do Rio de Janeiro. Também não tem grandes monumentos, nem edifícios seculares e não é propriamente acolhedora. E, no entanto, seduz e vicia os nossos passos, atraindo-nos para o seu interior. Talvez sejam as luzes que ofuscam, a energia electrizante que se vive nas suas ruas, o desenfreado apelo ao consumo, a rapidez com que tudo se passa, o turbilhão de gente, a sensação de poder, de potência, de que ali tudo pode acontecer. Tentadora, a “maçã” atrai, deixa-nos saboreá-la e depois agarra-nos para sempre. Mas não será esse o mistério e encanto de uma paixão?

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Passado o primeiro impacto, a sensação é de déjà vu. Por onde quer que andemos, tudo nos parece familiar, os táxis amarelos, o fumo característico que sai das condutas do metro nos dias frios, os edifícios, as fardas dos polícias… O certo é que já os vimos, já conhecemos quase ao pormenor alguns dos bairros, das cores, dos hábitos e dos movimentos da cidade, tantos foram os filmes aqui rodados.

Comecemos pelos lugares comuns. Nova Iorque está cheia deles. A Quinta Avenida, ou se preferir, Fifth Avenue é um deles. Muito pouco original como sugestão de passeio, mas absolutamente obrigatória para qualquer turista que se preze, é uma espécie de centro nevrálgico do consumo para ondeconvergem multidões de passagem, às compras ou simplesmente atraídas pela sumptuosidade e brilho das lojas. Foi aqui que o milionário William Henry Vanderbilt construiu a sua mansão em 1883, seguido por famílias poderosas como os Astor ou os Gould. E foi também aqui que casas como a Cartier e a lendária Tiffany, a Gucci, a Fendi, a Prada, os armazéns Sak’s Fifth Avenue, o chiquérrimo Bergdorf Goodman e as mais populares (e baratas) Banana Republic e Gap estabeleceram os seus quartéis generais. E porque símbolos do poder não faltam na principal das avenidas, vai deparar-se com a cintilante Trump Tower, mandada construir pelo magnata Donald Trump nos anos 80 e com o Hotel Plaza, também ele um ícone do luxo ostentador.

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Outro dos grandes marcos da Quinta Avenida e um dos lugares mais visitados de Nova Iorque é, sem dúvida, o Rockefeller Center. O primeiro complexo de edifícios do mundo a concentrar simultaneamente escritórios, lojas, restaurantes, entretenimento e jardins, foi construído entre 1931 e 1940 graças a John D. Rockefeller Jr. Hoje continua a merecer uma visita, especialmente em Dezembro, quando as iluminações de Natal são colocadas e o ringue de patinagem fica repleto de gente de todas as idades a deslizar ao som de músicas alusivas à época. Cenário mais turístico não há, mas este é um bom lugar para ir na primeira noite na cidade, é divertido e dá-nos a primeira picadela da serpente. Mal nos descuidamos, já estamos a trautear uma melodia e com vontade de patinar. É verdade, meus senhores, o “american way of life” contagia e depressa!

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Estamos em Midtown, o centro de Manhattan, onde coabitam os mais importantes marcos da cidade e onde existe a maior concentração de diversidade arquitectónica única no mundo, com alguns dos arranha-céus mais inovadores e marcantes de todos os tempos. É impossível ignorar o edifício Chrysler, uma torre, também ela, art déco de aço inoxidável ornada com tampas de radiador, volantes, automóveis e gárgulas inspiradas num capot, construída para ser a sede, precisamente, da Chrysler; ou, um pouco mais a sul, o Empire State Building, o arranha-céus mais famoso de Nova Iorque (e do mundo) e que recentemente (após os atentados ao WTC) recuperou o título de mais alto. Acredite, vale a pena ganhar coragem, não perder a paciência nas filas, e subir até ao terraço de observação no 86.º andar onde Cary Grant esperou por Deborah Kerr em Affair to Remember.

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Outro dos locais de visita obrigatória para amantes de arquitectura e nostalgia cinematográfica é a Grand Central Terminal, a célebre estação de comboios que foi cenário de um beijo entre o fugitivo Gregory Peck e Ingrid Bergman no Spellbound de Hitchcock e onde, catorze anos depois, o mesmo mestre do suspense filmou North by Northwest. Inaugurada em 1913, a Grand Central foi projectada pela dupla de arquitectos Warren & Wetmore e transformou-se numa referência, porta de entrada e saída na cidade, recebendo diariamente um milhão e meio de pessoas. Até há bem pouco tempo escondida pela poluição, com o seu recente restauro – levado a cabo pela Beyer Blinder Belle, empresa responsável pela obra no museu de Ellis Island -, a Grand Central e o seu salão de tecto abobadado e grandes escadarias de mármore inspiradas nas da Ópera de Paris,recuperaram o seu esplendor neoclássico ao máximo.

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Depois, aterre de olhos fechados em Times Square. Quando os abrir, vai acreditar estar dentro do Blade Runner, vai olhar para todos os lados e, entre a multidão que passa, o seu olhar vai dirigir-se para cima, em direcção às luzes e aos cartazes coloridos da Broadway. Vai parecer mesmo um turista recém-chegado tal a sua expressão de espanto, mas também pouco importa porque é impossível ficar indifente ao espectáculo e ninguém vai reparar em si. Edifícios altíssimos, cartazes e néons que iluminam a noite escura, várias músicas de fundo, um cowboy sem roupa, mas de guitarra em punho, um baterista à procura do sucesso, uma sirene pelo meio… Compre a Time Out, decida-se por um musical ou prossiga o seu caminho, a dançar…

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