
Rodeado pela vastidão do oceano Índico, o arquipélago das Seycheles soube preservar os seus deslumbrantes tesouros naturais, a par de um desenvolvimento turístico equilibrado. Povoado por uma fauna e flora singular, este paraíso tropical oferece praias de águas transparentes e soberbos recifes de corais.
Rigorosamente controlada, de forma a preservar o incontestável encanto das ilhas, a indústria do turismo constitui um dos principais pilares da economia do país. A forte consciência ecológica, em conjunto com a defesa de uma cultura muito especial, tem permitido a salvaguarda da autenticidade de um dos últimos paraísos terrestres. Assim, qualquer visitante que desembarque pela primeira vez nas Seycheles não só ficará surpreendido com a pureza dos cenários naturais, como com as infra-estruturas turísticas, onde a qualidade se alia a um profundo respeito pela natureza envolvente. Longe de tudo e de todos, sente-se um sossego indescritível, como se o tempo corresse a um ritmo diferente, mais lento. Apetece estender a toalha nas areias macias das praias e ficar por ali, a contemplar a limpidez impressionante das águas tépidas.
O dolce farniente parece querer dominar os dias longos e solarengos, mas seria imperdoável não partir à descoberta dos tesouros que o arquipélago generosamente oferece, sobretudo aqueles que se escondem debaixo de água. Mergulhar nos abundantes recifes de corais é uma das mais enriquecedoras experiências que se pode viver nas Seycheles. A transparência do mar proporciona as condições perfeitas para os amantes da fotografia subaquática. Obviamente que o snorkelling também está na lista de actividades obrigatórias, bem como a pesca ao largo da costa, desporto relativamente recente nas ilhas mas que tem cada vez mais adeptos devido à espantosa diversidade de peixes. Enfim, dias cheios e agradavelmente salgados que podem, e devem, ser temperados pela deliciosa gastronomia crioula, onde os pratos de peixe ganham novas cores e sabores com o uso muito imaginativo de frutos, de vegetais, de ervas e de especiarias da zona do Índico.

Composto por 115 ilhas e ilhotas, divididas em dois grupos principais, distintos pela geografia que apresentam – as Graníticas e as Coralinas –, o isolado arquipélago das Seycheles foi considerado pelos primeiros exploradores ocidentais como o paraíso perdido. Demasiado? Não nos parece, se levarmos em linha de conta as inúmeras belezas naturais que possui.
O primeiro registo sobre a sua existência remonta ao século XVI e coube ao navegador português Vasco da Gama, que alcançou estas paragens numa das suas viagens marítimas à Índia. No entanto, o arquipélago permaneceria desabitado até ao século XVIII, altura em que os franceses ali fundaram a primeira comunidade permanente. Com eles vieram os escravos africanos cuja influência para sempre marcaria a peculiar cultura das Seycheles, revelando-se particularmente no crioulo – uma das línguas oficiais do país –, nas danças e músicas tradicionais e também na própria gastronomia. No século XIX chegaram os britânicos que por lá deixaram a outra língua oficial, o inglês. Interessante mescla de vários povos, os habitantes das Seycheles revelam-se hospitaleiros e, mesmo com o acentuado desenvolvimento das últimas décadas, ainda preservam um modo de vida simples, mantendo tradições com cerca de 200 anos!

Mahé
O grupo das Graníticas, de origem granítica em vez da vulgar vulcânica, possui uma luxuriante vegetação tropical, onde abundam os coqueiros, as bananeiras e as mangueiras. As 42 ilhas que o compõem ainda conservam, nas terras mais elevadas, algumas áreas de floresta nativa, onde também se encontram plantações de canela e chá. Mahé, a maior de todas as ilhas, com 27 km de comprimento e 8 de largura, acolhe o principal porto do arquipélago e também a capital, Victoria. Verdadeiramente encantadora, a pequena cidade ainda conserva muitos edifícios coloniais, dois dos quais albergam o Museu de História Natural e o Museu Nacional das Seycheles, e um interessantíssimo Jardim Botânico. Deambulando pela ilha, os visitantes são surpreendidos por velhas mansões coloniais que, sem aviso prévio, surgem por entre verdejantes florestas ou cheirosas plantações de canela e baunilha. Com 905 metros de altura, o Morne Seychellois é o ponto mais alto de arquipélago, dando também nome a um dos mais importantes parques naturais.

Praslin
A segunda maior ilha é Praslin. Localizada a pouco mais de duas horas de barco ou a 15 minutos de avião de Mahé, apresenta como atracção principal o vale de Mai, habitado por uma impressionante floresta de mais de 4 mil palmeiras coco de mer – árvore que é símbolo das ilhas e que dá frutos que chegam a pesar 20 kg cada – “guardadas” pelo curioso papagaio negro das Seycheles. Mas Praslin também serve de excelente ponto de partida para a descoberta das restantes ilhas que compõem o conjunto das Graníticas, como La Digue, Aride, Curieuse e Cousin, uma reserva natural dedicada à protecção das inúmeras espécies raras de pássaros que a escolheram para habitat.

Ilhas Coralinas
Compostas por um conjunto de atóis de coral, as ilhas Coralinas situam-se a sudoeste do grupo granítico. Nenhum dos atóis tem uma população permanente, estando, no entanto, cheios de vida, pois é deste lado do Índico que se situam algumas das mais belas reservas de vida selvagem daquela parte do globo. O atol de Aldabra, o maior do planeta, é casa da tartaruga gigante – calculando-se que o seu número atinja os 200 mil – e do raro trilho branco – uma espécie de ave marinha do Índico -, o que o fez merecer a classificação de Património da Humanidade pelo UNESCO.
Outros pontos de interesse que se podem incluir no roteiro da viagem são a ilha dos Pássaros, particularmente entre Maio e Setembro, quando acolhe milhares de andorinhas do mar que ali chegam para nidificar, e Desroches, o destino certo para os que procuram as emoções dos desportos aquáticos.









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